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sexta-feira, 20 de junho de 2014

TROPA DE CHOQUE REALIZA PEDIDO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE NA UNESP ARARAQUARA

Via os Estudantes em Luta da UNESP Araraquara, pela página Ocupação Unesp Araraquara 2014

"“EU NÃO NEGOCIO COM INVASORES DE MERDA”:
UNESP “dialoga” com Tropa de Choque

Como é sabido, na madrugada do dia 30 de maio, conforme deliberado em Assembleia Geral Estudantil da FCLAr, ocupamos a diretoria da unidade. A ação se deu pela total falta de diálogo e compromisso da direção com as políticas de permanência e pelo uso de ações repressivas e autoritárias contra os estudantes. Desde o início, essa gestão é caracterizada por inúmeras sindicâncias, falseamento de demandas e falta de seriedade para com as reivindicações estudantis.

A revogação das 38 expulsões de estudantes da moradia estudantil é nossa reivindicação mais urgente, além do corte massivo de outros auxílios como auxílio-aluguel, auxílio-alimentação e bolsa BAAE-I. São medidas provenientes de um processo seletivo arbitrário, incoerente e que ao contrário das declarações do diretor da unidade, Arnaldo Cortina, não conta com a participação ampla dos três setores da universidade: professores, funcionários e estudantes, mas concentra-se nas mãos do vice-diretor e assistente social. Entendemos que o processo seletivo e seus critérios contradizem totalmente a sua única intenção, a de atender aos estudantes socioeconomicamente carentes, impossibilitando sua permanência na universidade.

Também é pauta nossa o fim dos processos administrativos e judiciais contra os estudantes, pela própria luta que se trava aqui e, noutros episódios, motivados pela censura de qualquer manifestação artística ou política. Clamar pela retirada destes processos significa denunciar a posição altamente repressora da gestão Arnaldo Cortina e Cláudio Paiva, que resolve com a justiça civil e polícia assuntos políticos da universidade.

A ocupação se deu primordialmente pela exigência de diálogo com a direção, que até então, era negligenciado. A congregação extraordinária chamada no dia seguinte à ação quebrou protocolos de divulgação e de votação, além de ser ilegítima por conta da greve docente vigente, que retira o poder de deliberação dos órgãos colegiados, e já escancarava a intenção da direção de autorizar a invasão policial para reintegração de posse antes de qualquer tentativa de diálogo. Apesar disso, a resistência dos estudantes ao continuarem ocupados forçou uma primeira negociação; porém, o que se viu foi uma falsa vitória. Nesta reunião, evidenciou-se a indisposição da direção a negociar as nossas pautas, além da falta de compromisso, visto a ausência do vice-diretor e da assistente social, responsáveis pelas políticas de permanência estudantil. Apesar do compromisso de continuidade das negociações, essas nunca se deram. Quando os diretores foram procurados e indagados sobre essa promessa anterior, mais uma vez foram escancaradas a intransigência e a arbitrariedade desta gestão. Exaltado, o vice-diretor proferiu ofensas graves aos estudantes: “EU NÃO NEGOCIO COM INVASORES DE MERDA”.

Depois desta última tentativa de negociação, ficou claro para os estudantes em luta e ocupados que, para os gestores desta unidade o diálogo se dá com força policial.

Às 5h da madrugada do dia 20/06, 3 semanas após a referida deliberação da assembleia, os estudantes foram surpreendidos com a presença da tropa de choque dentro da direção ocupada, forte e descabidamente armados para cumprimento da reintegração de posse, autorizada pelo diretor e incentivada por grande parte do corpo docente. Eles foram encaminhados para a 4ª D.P. de Araraquara, onde foram qualificados e liberados depois de algumas horas.

O triste desfecho desta ocupação evidencia qual é o projeto antidemocrático de universidade que estamos vivendo e quais as consequências deste que estamos sofrendo: arbitrariedade, autoritarismo, autocracia gestionária, total desacordo com os princípios humanísticos da universidade e desrespeito à classe estudantil e à sua autonomia política.

Essa política do “diálogo” somente com a força policial não é nova para o campus de Araraquara, visto que esse foi palco de teste da intervenção da PM na universidade em 2007. Foi no campus da Unesp de Araraquara que a polícia entrou pela primeira vez na universidade após a redemocratização, justamente para retirar a força os estudantes que ocupavam a diretoria da unidade, que coincidentemente lutavam por educação pública, gratuita e de qualidade. Esses estudantes criminalizados em 2007 lutavam contra os decretos do Serra que minariam a autonomia universitária, a mesma que nas mãos unicamente dos docentes com o poder de decisão de 70%, autorizou a entrada da PM no campus para reprimir estudantes. Agora vemos nossos 3 REItores das estaduais paulistas proferindo discursos pró mantimento da autonomia universitária nos jornais, sim, os docentes nunca foram contrários a perda da autonomia, mas são eles os gerenciadores da privatização. E se agora conclamam a sagrada autonomia (não para garantir que a política possa ser realizada livremente no espaço da universidade), denunciando a alteração do modelo universitário, é para garantir que não percam com a finalização do processo de privatização seus cargos de gerenciadores, que seriam melhores preenchidos pelos já gerenciadores dos bancos, da indústria e da grande mídia que estão comprando a universidade pública.

Lutar por política de permanência estudantil é lutar contra o processo de privatização da universidade, ao qual não cabe tal política, ao qual o ensino não será mais que uma mercadoria.

OS ESTUDANTES EM LUTA.

A LUTA CONTINUA!"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CAÇA ÀS BRUXAS: REITORIA DA UNESP ABRE SINDICÂNCIAS PARA PUNIR ESTUDANTES!



        Um dos eixos de luta do Movimento Estudantil da UNESP nas greves e ocupações ocorridas em 2013 foi contra a repressão aos movimentos sociais. Nossa luta se fez legítima em um movimento estadual que culminou em duas ocupações da REItoria em menos de um mês, devido à intransigência da REItoria nas negociações em atender minimamente as pautas estudantis.

          Cerca de um mês após o fim das greves e ocupações, a REItoria da UNESP quer ver cabeças rolando para não ser incomodada novamente por um movimento que luta em prol da classe trabalhadora que historicamente é excluída do espaço universitário, tendo como pautas abrindo processos administrativos contra os estudantes que ocuparam a REItoria nos dias 16 e 17 de Julho de 2013. 

       Cabe lembrar a extrema intransigência da REItoria nesta ocupação, visto que não houve qualquer negociação da pauta dos estudantes e no tempo recorde de 15 horas foi executado o pedido de reintegração de posse dos estudantes pela Tropa de Choque da Polícia Militar do estado de São Paulo, sem sequer haver apresentação formal do pedido de reintegração de posse aos estudantes, demonstrando o caráter ilegal de tal atitude. Os estudantes foram então levados à 2ª DP no Bom Retiro em São Paulo, onde ficaram detidos por seis horas e após isto foram qualificados em um boletim de ocorrência.

      Na época foram 113 presos por lutarem por permanência estudantil, democratização da universidade, ampliação do acesso à universidade para as parcelas pobres e negras da população, NÃO à repressão, entre outros que foi brutalmente reprimido pela intransigência do REItorado. Após esta demonstração ditadora, os mesmo querem agora punir os estudantes com processos administrativos para tentar trazer a inércia ao Movimento Estudantil através da via repressora.     

      Atualmente cinco estudantes da UNESP foram chamados para audiência no dia 07 de novembro no prédio da REItoria em São Paulo, sendo estes coincidentemente representantes que participaram das negociações com a reitoria durante o período de greves e ocupação, demonstrando clara intenção de perseguição política daqueles que participaram ativamente do movimento.

       Segundo carta de citação enviada a alguns estudantes, os mesmos estão sendo acusados de infringir os seguintes incisos do artigo 161 do regimento geral da UNESP:

“Artigo 161 - Constituem infrações disciplinares do corpo discente:

II - fazer inscrições em próprios da Universidade ou nos objetos de propriedade da Unesp e afixar cartazes fora dos locais a eles destinados;
IV - praticar ato atentatório à integridade física e moral de pessoas ou aos bons costumes;
VII - perturbar os trabalhos escolares, as atividades científicas ou o bom funcionamento da administração;
VIII - promover manifestações e propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausência coletiva aos trabalhos escolares a qualquer pretexto;
IX - desobedecer aos preceitos regulamentares do Estado, do Regimento Geral, dos Regimentos das unidades universitárias e de outras normas fixadas por autoridade competente;
X - desacatar membro da comunidade universitária;
XI - praticar atos que atentem contra o patrimônio científico, cultural e material da Unesp.”

            Na mesma carta, os estudantes poderão ser punidos pelo artigo 162 do mesmo regimento:

“Artigo 162 - As penas disciplinares aplicáveis aos membros do corpo discente são:
I - advertência verbal;
II - repreensão;
III - suspensão;
IV – desligamento.”

          Não podemos nos esquecer que tal Regimento Geral da UNESP foi criado em plena ditadura militar, demonstrando o extremo caráter autoritário, repressor e ditador do mesmo e que a utilização deste tem os mesmos objetivos que a ditadura: punir quem luta pela transformação da realidade. O inciso VIII do qual os estudantes estão sendo acusados demonstra claramente este caráter, havendo clara repressão institucionalizada dentro da UNESP.

       Neste momento é necessário a união de todo o Movimento Estudantil da UNESP e de todos os lutadores pela educação que estão nas ruas sofrendo a repressão policial, ocupando as REItorias de suas universidades para que o movimento pela transformação da sociedade em prol da classe trabalhadora não recue! É hora de unirmos e lutar juntos contra o Estado repressor e seus aparatos burocráticos e ideológicos!!

      Convocamos o movimento estudantil da UNESP a convocar Assembleias em suas unidades para que possamos construir esta luta contra a repressão em conjunto e consigamos manter este movimento em prol da educação à serviço do povo!!

NÃO IREMOS RECUAR!!


AS SINDICÂNCIAS NÃO PASSARÃO!! FORA DURIGAN DITADOR!!


SÃO 30 ANOS SEM DITADURA E A REPRESSÃO AINDA CONTINUA!!

A LUTA CONTINUA!!
DCE "Helenira Resende" - 17 de Outubro de 2013